Tabelamento do frete rodoviário incentiva a cabotagem

O que você acha do governo brasileiro ter determinado o tabelamento dos fretes rodoviários em 2018?

 

Considerando que o Brasil supostamente é um país de regime capitalista, em minha opinião o tabelamento é um absurdo. É premissa do capitalismo que o preço de produtos e serviços seja determinado pelo mercado e não por governos.

 

Contudo, esse fato acabou impulsionando uma mudança na matriz de transportes brasileira, uma vez que algumas empresas descobriram a navegação de cabotagem. Segundo a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem, em 2018 mais de um milhão de TEU (medida de capacidade equivalente a um contêiner de 20 pés) foram transportados entre os portos brasileiros, representando um crescimento de cerca de 40% sobre o ano anterior.

 

A cabotagem vinha apresentando uma lenta expansão nos últimos anos. Após a greve dos caminhoneiros em 2018 e o tabelamento dos fretes em um patamar elevado, a cabotagem deu um salto. Algumas empresas aumentaram os seus embarques marítimos e outras empresas, que não utilizavam este modal, começaram a testá-lo. Um dos segmentos que se tornou cliente da operação marítima de cabotagem foi o setor de frutas, embarcando em contêineres refrigerados (reefer).

 

Dependendo da rota, o valor médio dos fretes cobrados na navegação de cabotagem é de 20% a 30% mais barato do que os fretes rodoviários. Porém, vinha atendendo somente 13% do total de cargas movimentadas no país. No final de 2018 este índice alcançou 18%.

 

Nesse novo contexto, as rotas marítimas que tiveram maiores índices de crescimento foram Santos-Manaus e Nordeste-Sudeste. Nesta última o transporte de cargas via rodoviária era muito barato por se tratar, sobretudo, de lucro marginal com carga de retorno. Com o tabelamento, o frete rodoviário de retorno se tornou inviável e as empresas identificaram a alternativa marítima.

 

Enfim, constatamos que a ideia infeliz de tabelar fretes rodoviários trouxe como resultado a busca das empresas por uma alternativa mais racional, obtendo como consequência a redução no custo médio de transporte no país. Ou seja, “o governo lhes deu um limão e com ele as empresas fizeram uma limonada”. Viva o tabelamento de fretes

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